Teoria triárquica da inteligência humana

Segundo a teoria triárquica, de Robert Sternberg, a inteligência compreende três aspectos, os quais tratam da relação da inteligência com o mundo interno da pessoa; com a experiência, e com o mundo externo.

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Enquanto Howard Gardner enfatiza a independência dos vários aspectos da inteligência, Robert Sternberg enfatiza a dimensão na qual eles funcionam juntos, em sua teoria triárquica da inteligência humana. Segundo a teoria triárquica (tri-, “três”; -árquica, “governada”), a inteligência compreende três aspectos, os quais tratam da relação da inteligência (a) com o mundo interno da pessoa; (b) com a experiência, e (c) com o mundo externo. A figura abaixo as partes da teoria de Sternberg e suas inter-relação.

Segundo Robert Sternberg, a inteligência compreende capacidades analíticas, criativas e práticas. No pensamento analítico, tentamos resolver problemas conhecidos, usando estratégias que manipulem os elementos de um problema ou as relações entre os elementos (p. ex., comparar, analisar); no pensamento criativo, tentamos resolver novos tipos de problemas que nos exijam ponderar o problema e seus elementos em uma nova maneira (p. ex., inventar, planejar); no pensamento prático, tentamos resolver problemas que apliquem o que sabemos aos contextos cotidianos (p. ex., aplicar, usar).
Segundo Robert Sternberg, a inteligência compreende capacidades analíticas, criativas e práticas. No pensamento analítico, tentamos resolver problemas conhecidos, usando estratégias que manipulem os elementos de um problema ou as relações entre os elementos (p. ex., comparar, analisar); no pensamento criativo, tentamos resolver novos tipos de problemas que nos exijam ponderar o problema e seus elementos em uma nova maneira (p. ex., inventar, planejar); no pensamento prático, tentamos resolver problemas que apliquem o que sabemos aos contextos cotidianos (p. ex., aplicar, usar).

COMO A INTELIGÊNCIA RELACIONA-SE COM O MUNDO INTERNO

Esta parte da teoria enfatiza o processamento da informação, que pode ser concebido em função de três diferentes tipos de componentes: (1) metacomponentes – processos executivos (metacognição) usados para planejar, monitorar e avaliar a resolução de problemas; (2) componentes de desempenho – processos de ordem inferior usados para implementar os comandos dos metacomponentes; e (3) componentes de aquisição de conhecimento – os processos usados para aprender como resolver os problemas, em primeiro lugar. Os componentes são altamente interdependentes.

Robert Sternberg
Robert Sternberg

Suponhamos que você foi solicitado a escrever um trabalho de conclusão. Você usaria os metacomponentes para decidir o assunto, planejar o trabalho, monitorizar a redação e avaliar o quanto seu produto concluído é bem-sucedido em realizar seus objetivos quanto a ele. Você usaria os componentes da aquisição de conhecimento para pesquisar, a fim de aprender sobre o assunto. Você usaria os componentes de desempenho para a redação real. Na prática, os três tipos de componentes não funcionam isoladamente. Antes de realmente escrever o trabalho, você primeiro teria de decidir o assunto e depois fazer alguma pesquisa. Similarmente, seus planos para redigir o trabalho podem mudar à medida que você coleta novas informações. Pode acontecer que, simplesmente, não existam informações suficientes sobre determinados aspectos do assunto escolhido, forçando-o a alterar sua ênfase. Seus planos também podem modificar-se, se determinados aspectos da relação andarem mais tranquilamente do que outros.

COMO A INTELIGÊNCIA RELACIONA-SE COM A EXPERIÊNCIA

A teoria de Sternberg também considera como a experiência anterior pode interagir com todos os três tipos de componentes do processamento da informação. Isto é, cada um de nós enfrenta tarefas e situações com as quais temos níveis variados de experiência, abrangendo desde uma tarefa completamente inédita, com a qual não temos experiência prévia alguma, a uma tarefa totalmente conhecida, com a qual temos vasta e extensa experiência. À medida que uma tarefa torna-se cada vez mais conhecida, muitos dos seus aspectos podem tornar-se automáticos, exigindo pouco esforço consciente para determinar qual passo tomar a seguir e como executar a próxima etapa. Uma tarefa inédita faz demandas à inteligência diferentes daquelas de uma para qual se desenvolveram procedimentos automáticos.

A teoria triárquica não define uma pessoa inteligente como alguém que necessariamente se destaque em todos os aspectos da inteligência. Mais exatamente, as pessoas inteligentes conhecem suas próprias forças e fraquezas e encontram meios nos quais capitalizam suas forças e compensam ou atenuam suas fraquezas.

Segundo a teoria triárquica, as tarefas relativamente inéditas – tais como visitar um país estrangeiro, dominar um novo assunto ou aprender uma língua estrangeira – exigem mais da inteligência de uma pessoa. Por outro lado, uma tarefa completamente desconhecida pode exigir tanto da pessoa quanto ser esmagadora. Por exemplo, se você estivesse visitando um país estrangeiro, provavelmente não teria benefício se se matriculasse em um curso de um assunto abstrato desconhecido, ensinado em uma língua que você não entende. As tarefas mais intelectualmente estimulantes são aquelas que desafiam e exigem, mas não são esmagadoras. (Recordemos a discussão sobre a zona de desenvolvimento proximal, de Lev Vygotsky: aprendemos ao máximo quando nos são dadas tarefas cognitivas que sejam otimamente desafiadoras – não tão difíceis que nos assoberbem, mas não tão fáceis que não precisemos estender nossas habilidades ou expandir nosso conhecimento, a fim de completar as tarefas.)

COMO A INTELIGÊNCIA RELACIONA-SE COM O MUNDO EXTERNO

A teoria triárquica também propõe que os vários componentes da inteligência seja aplicados à experiência, a fim de satisfazer três funções nos contextos do mundo real: adaptar-nos aos nossos ambientes existentes, moldar nosso ambientes presentes para criar novos ambientes e para selecionar novos ambientes. Você usa a adaptação quando aprende a entender do riscado em um novo ambiente e tenta conceber como ser bem sucedido nele. Por exemplo, quando você ingressa peça primeira vez na universidade, provavelmente tenta imaginar as regras explícitas e implícitas da vida universitária e como pode usar essas regras para sem bem-sucedido no novo ambiente. Você também molda seu ambiente, tal com foi decidindo quais disciplinas frequentar e quais atividade seguir. Você pode até tentar moldar o comportamento dos que o cercam. Finalmente, se for incapaz de adaptar-se ou de moldar o ambiente para adequar-se a você, você pode considerar a seleção de outro ambiente –  tal como transferindo-se para uma universidade diferente.

Segundo a teoria triárquica, as pessoas podem aplicar sua inteligência a muitos tipos diferentes de problemas. Por exemplo, algumas delas podem ser mais inteligentes diante de problemas acadêmicos abstratos, ao passo que outras podem ser mais inteligentes diante de problemas práticos concretos. A teoria não define uma pessoa inteligente como alguém que necessariamente se destaque em todos os aspectos da inteligência. Mais exatamente, as pessoas inteligentes conhecem suas próprias forças e fraquezas e encontram meios nos quais capitalizam suas forças e compensam ou atenuam suas fraquezas. Por exemplo, uma pessoa que é forte em psicologia, mas não em física, pode escolher como um projeto de física a criação de um teste de aptidão para física. O mais importante é dar o máximo de suas forças e encontrar meios de melhorar ou, ao menos, viver confortavelmente com suas fraquezas.

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Hélio Teixeira – Cientista-chefe do Centro de Estudos e Pesquisa em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do IHT – é um estudioso da aprendizagem e da criatividade humanas como processos segundo ele “participativos e sociotecnicamente distribuídos.” Sua pesquisa busca entender o que ele chama de “estruturas sociotécnicas de pertencimento necessárias à emergência da aprendizagem e da criatividade nos grupos humanos, concebidos como sistemas complexos.” Ele adota uma abordagem transdisciplinar, articulando saberes da ciência da complexidade, ciências da aprendizagem, psicologia social, design participativo, inteligência artificial e psicologia cognitiva. Cientista de dados especializado em modelagem de dados e inteligência artificial algorítmica. Apaixonado por Modelagem Baseada em Agentes, com predileção pelos ambientes Mesa/Python e NetLogo, e pelo desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial. É fundador do Instituto Hélio Teixeira (IHT), do ColaboraLab e do Programa Letramento Tecnológico.

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