A pedagogia e o espaço físico

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Prezado professor, responda-me: o design de sua sala de aula é importante para você? Ele afeta as crianças que você cuida? Ele acolhe bem os familiares que visitam a sua turma? O ambiente de sua sala de aula estimula a colaboração entre os alunos? Você já parou para pensar sobre o design e a configuração desse ambiente?

Para muitos de nós, o design do ambiente físico é tão invisível quanto o ar que respiramos ou o brilho do sol – nós simplesmente não pensamos nisso. Estes elementos invisíveis tendem a chamar a nossa atenção apenas quando eles não funcionam. Mas não se engane, o ambiente físico, quer você tenha consciência ou não, tem grande importância.

Se uma imagem vale por mil palavras, a fotografia dos ambientes de sala de aula também podem dizer muito sobre as experiências de aprendizagem que lá ocorrem. Olhe atentamente para as fotos abaixo, tiradas de duas salas de aula da pré escola. Apesar dos dois ambientes terem alguns elementos semelhantes, é possível perceber muitas diferenças entre eles. Se você fosse um aluno ou um professor e tivesse que conviver diariamente em uma dessas salas, quão diferente você acha que seria a sua experiência em cada uma delas?

 

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A análise das imagens dispensa maiores comentários. A segunda sala, claramente, oferece uma “melhor experiência”. Mas como chegamos a essa conclusão? Como construímos essa má impressão a respeito da primeira sala, em contraste com a boa impressão formada sobre a segunda sala?

Reflita comigo: Quais elementos físicos e espaciais são determinantes para a “construção” deste sentimento? Como o design dos elementos que compõem o ambiente físico de uma sala de aula podem interferir na experiência e no sentimento das pessoas sobre a qualidade do ambiente de aprendizagem?

Pois bem, segue algumas dicas que podem ser úteis em nossa reflexão. Considerando as duas salas de aula acima…

  • Observe a iluminação. Qual é a fonte de luz principal utilizada em cada uma das salas? As salas parecem claras e arejadas? Utilizam muita luz natural? Ou elas são escuras, claustrofóbicas, e abusam da luz artificial?
  • Observe os materiais utilizados na decoração dos dois ambientes. Os materiais são naturais ou artificiais? Parecem novos e atuais, ou remontam a uma época anterior? Eles projetam uma sensação de aconchego ou uma sensação de institucionalização?
  • Observe a disposição dos móveis. O ambiente é espaçoso? Permite que as crianças e professores circulem entre as áreas? Ou a sala parece cheia, deixando pouco espaço para a circulação dos alunos e dos eventuais visitantes?
  • Considere as oportunidades de aprendizagem oferecidas nos dois ambientes. O ponto focal da sala parece estar orientado à diversão, ou o ambiente é “academicamente conduzido”? As atividades visivelmente possíveis oferecidas pelos dois ambientes são envolventes, interessantes, promovem o pensamento criativo e divergente? Qual mensagem é transmitida pela atmosfera projetada pelos dois ambientes, a de que o ambiente é dedicado à “exploração centrada no aluno” ou à “instrução centrada no professor”?

Agora, volte a sua atenção para a sua própria sala de aula. Como ela se compara com as salas mostradas aqui? Se você fosse um visitante e entrasse agora em sua sala de aula quais mensagens você captaria dela com base no design e na disposição do ambiente físico?

Esperamos que este post possa levá-lo a refletir melhor sobre a importância do design do ambiente físico de sua de aula. Os ambientes das salas de aula são importantes para as crianças que passam muitas horas neles; são importantes para os professores que planejam, ensinam e convivem neles; mas também são importantes para os familiares e visitantes que os frequentam diariamente.

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Hélio Teixeira - Cientista-chefe do Centro de Estudos e Pesquisa em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do IHT - é um estudioso da aprendizagem e da criatividade humanas como processos segundo ele "participativos e sociotecnicamente distribuídos." Sua pesquisa busca entender o que ele chama de "estruturas sociotécnicas de pertencimento necessárias à emergência da aprendizagem e da criatividade nos grupos humanos, concebidos como sistemas complexos." Ele adota uma abordagem transdisciplinar, articulando saberes da ciência da complexidade, ciências da aprendizagem, psicologia social, design participativo, inteligência artificial e psicologia cognitiva. Cientista de dados especializado em modelagem de dados e inteligência artificial algorítmica. Apaixonado por Modelagem Baseada em Agentes, com predileção pelos ambientes Mesa/Python e NetLogo, e pelo desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial. É fundador do Instituto Hélio Teixeira (IHT), do ColaboraLab e do Programa Letramento Tecnológico.

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