Métodos de grandes grupos: O amadurecimento (PARTE 2)

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“Open Space 2 Innovate” was a Goddard wide forum where employees were encouraged to think innovatively and collaborate across boundaries to address our mission, business and technical challenges. Wednesday, March 17th, 2010 Credit: NASA/GSFC/Debbie McCallum Click Here to view NASA Goddard's Flickr page with images, visualizations and videos! www.flickr.com/photos/gsfc
Dick-Axelrod
Dick Axelrod
Don Klein
Don Klein

Durante a década de 1990, com o amadurecimento do novo campo, as diferenças entre os métodos gradualmente tornaram-se mais evidentes. Algumas publicações e atividades impulsionaram este amadurecimento.

Um marco importante no processo de maturação das metodologias de grandes grupos, foi a publicação de uma edição especial do The Journal of Applied Behavioral Science, editada por Barbara Benedict Bunker e Billie T. Alban, em dezembro de 1992. Esta edição reuniu artigos de autores de diferentes métodos, onde eles compartilharam suas ideias e experiências no trabalho com grandes grupos de stakeholders. Em seu artigo, Dick Axelrod descreve o método criado por ele: o Conference Model. Na mesma publicação, Don Klein apresentou o SimuReal. Método que, segundo ele, também poderia acomodar um grande número interessados em uma mesma discussão. Esta edição especial teve um grande sucesso de vendas, com cinco reimpressões adicionais.

Amadurecimento do mercado

Barbara Benedict Bunker
Barbara Benedict Bunker

A partir de 1993, aproveitando a sede do mercado por este novo conhecimento, os métodos ganharam um novo impulso com a publicação de livros, a promoção de conferências nacionais e a realização de várias oficinas e treinamentos sobre o tema. Todos os produtos e serviços lançados neste período foram muito bem sucedidos comercialmente. Afinal, todos queriam saber como aqueles métodos funcionavam.

Motivados por este interesse crescente do mercado empresarial, os desenvolvedores de métodos começaram a oferecer workshops e a publicar seus próprios livros sobre como usar seus métodos. E isso aumentou ainda mais o número de pessoas e empresas familiarizadas com os novos os métodos.

Diferenciação

À medida que as novas metodologias foram sendo utilizadas por um número maior de empresas e comunidades, as diferenças entre eles tornaram-se mais claras. Por exemplo, ficou evidente que alguns métodos são mais fáceis de aprender e adotar do que outros. Métodos com um fluxo estruturado de atividades como o Search Conference ou Future Search são fáceis de entender. Isso significa que eles são mais fáceis de experimentar e exigem menos tempo de preparação.

Reunião utilizando a metodologia OPEN SPACE
Reunião utilizando a metodologia OPEN SPACE

Outros métodos precisam de mais tempo de planejamento para a sua implementação. O método Work Design precisa de alguns meses de preparação, e exige muitas reuniões antes de sua implementação; o Open Space pode ser configurado e executado em um prazo muito curto. Métodos com um grau de customização maior, como o Real Time Strategic Change, exigem um planejamento específico que deve ser conduzido por uma equipe de design interno, o que demanda prazos mais longos se comparados com os chamados “métodos estruturados”.

Grupos de trabalho utilizando o método FUTURE SEARCH
Grupos de trabalho utilizando o método FUTURE SEARCH

Similaridades

Os métodos também possuem similaridades. É comum a todos os métodos, por exemplo, ter um grupo de planificação representativo de todos os aspectos do sistema para orientar e gerir o processo. Uma reunião típica normalmente é realizada em uma sala grande, aberta e com mesas redondas para acomodar os participantes. O diâmetro das mesas não pode ser muito grande para que as pessoas possam conversar sem precisar gritar. Além disso, quase todos os métodos configuram seus espaços de reunião com uma plataforma para os facilitadores, em local visível à todos os participantes.

Outro ponto comum entre os métodos, é a existência de uma equipe de logística, cujos integrantes usam uma cor de roupa distinta, circulam entre as mesas trazendo instruções e materiais para estimular as conversas, bem como microfones para os momentos de discussões.

(continua…)

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Hélio Teixeira - Cientista-chefe do Centro de Estudos e Pesquisa em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do IHT - é um estudioso da aprendizagem e da criatividade humanas como processos segundo ele "participativos e sociotecnicamente distribuídos." Sua pesquisa busca entender o que ele chama de "estruturas sociotécnicas de pertencimento necessárias à emergência da aprendizagem e da criatividade nos grupos humanos, concebidos como sistemas complexos." Ele adota uma abordagem transdisciplinar, articulando saberes da ciência da complexidade, ciências da aprendizagem, psicologia social, design participativo, inteligência artificial e psicologia cognitiva. Cientista de dados especializado em modelagem de dados e inteligência artificial algorítmica. Apaixonado por Modelagem Baseada em Agentes, com predileção pelos ambientes Mesa/Python e NetLogo, e pelo desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial. É fundador do Instituto Hélio Teixeira (IHT), do ColaboraLab e do Programa Letramento Tecnológico.

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