Um espaço conceitual para a Psicologia

1
947

Embora as perspectivas do behaviourismo e da fenomenologia pareçam muito diferentes, elas partilham um fundamento ontológico e uma problemática epistemológica comuns; são psicologias cartesianas. Tentar construir uma teoria geral das representações sociais sobre uma ou outra das psicologias cartesianas tradicionais é um empreendimento destinado ao fracasso. A fenomenologia não tem espaço para situar de modo verdadeiramente social o cognitivo, da mesma forma que o behaviourismo não tem espaço realmente cognitivo para o social.

Tentar construir uma teoria geral das representações sociais sobre uma ou outra das psicologias cartesianas tradicionais é um empreendimento destinado ao fracasso

Em vez de uma oposição bipolar entre mente e corpo – a qual, ao opor subjetivo/objetivo e interno/externo, está na base do cartesianismo – é possível desenhar um espaço conceitual de duas dimensões (ver figura abaixo adaptada do trabalho de Horace Romano Harré). A primeira dimensão corresponde ao caráter público – constatável para todos – ou privado – guardado para si – da manifestação de um processo cognitivo ou de um estado afetivo. A segunda dimensão corresponde à localização do processo cognitivo ou estado afetivo – como pertencendo a um indivíduo isolado ou como necessitando de grupos para existir.

O cruzamento destas duas dimensões origina quatro quadrantes sobre os quais se podem localizar diversos fenômenos psicológicos. Tomemos o exemplo da memória. As palavras que se referem à memória aparecem ao mesmo tempo em relatos e recordações pessoais e em relatos criados por instituições e que determinam parcialmente a ação futura de seus membros. Podemos localizar o primeiro caso – o das recordações – no quadrante individual-pessoal e o segundo – da memória institucional – no quadrante coletivo social.

HARRE

Compartilhar
Hélio Teixeira - Cientista-chefe do Centro de Estudos e Pesquisa em Ciência de Dados e Inteligência Artificial do IHT - é um estudioso da aprendizagem e da criatividade humanas como processos segundo ele "participativos e sociotecnicamente distribuídos." Sua pesquisa busca entender o que ele chama de "estruturas sociotécnicas de pertencimento necessárias à emergência da aprendizagem e da criatividade nos grupos humanos, concebidos como sistemas complexos." Ele adota uma abordagem transdisciplinar, articulando saberes da ciência da complexidade, ciências da aprendizagem, psicologia social, design participativo, inteligência artificial e psicologia cognitiva. Cientista de dados especializado em modelagem de dados e inteligência artificial algorítmica. Apaixonado por Modelagem Baseada em Agentes, com predileção pelos ambientes Mesa/Python e NetLogo, e pelo desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial. É fundador do Instituto Hélio Teixeira (IHT), do ColaboraLab e do Programa Letramento Tecnológico.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here